Bauhinia 2024–2025: dois anos construindo soluções com os territórios

Bauhinia 2024–2025: dois anos construindo soluções com os territórios.

O que acontece quando conservação ambiental, justiça social e desenvolvimento comunitário deixam de ser agendas separadas?

Para a Bauhinia eco-social, a resposta está na construção coletiva. Em 2024 e 2025, ampliamos projetos, fortalecemos parcerias e aproximamos ainda mais nosso trabalho das pessoas, iniciativas e territórios que já constroem, no cotidiano, novas formas de cuidar da cidade e da natureza.

Agora, reunimos essa trajetória no Relatório Bianual 2024–2025, uma publicação que apresenta nossos projetos, resultados, aprendizados e caminhos construídos ao longo desses dois anos.

Mais do que registrar atividades, o relatório conta um pouco da história de uma organização que vem se consolidando a partir das conexões entre pessoas, conhecimentos e territórios.

Uma atuação construída em rede

A Bauhinia nasceu do encontro de mulheres que acreditavam — e continuam acreditando — que enfrentar vulnerabilidades sociais também passa pela conservação das áreas verdes e pelo fortalecimento de quem vive e atua nesses territórios.

Ao longo de nossa trajetória, essa visão se transformou em uma atuação cada vez mais coletiva. Agricultoras e agricultores, cooperativas, educadoras, jovens, pessoas com deficiência, organizações sociais, universidades, agentes públicos e diversas iniciativas comunitárias passaram a fazer parte dessa construção.

Em 2024 e 2025, esse trabalho ganhou novos contornos. A Bauhinia acessou recursos por meio de editais e implementou iniciativas como 12 Meses de Colheita, Matrizeiras e Território do Futuro, além do projeto Trilhando Acessibilidade. Ao mesmo tempo, deu continuidade a iniciativas e parcerias já existentes, como Rebola Queixo, Ligando as Pontas, Ciência Cidadã e as ações junto à COOPERPAC.

Essa diversidade de experiências revela algo fundamental para nós: não existe uma única solução para os desafios socioambientais. Existem territórios, pessoas, saberes e relações que precisam ser considerados na construção de cada caminho.

Agroecologia e conservação caminham juntas

Grande parte das ações desenvolvidas nesse período esteve relacionada à agricultura sustentável e à conservação da biodiversidade.

No projeto Matrizeiras, por exemplo, agricultores de Parelheiros participaram da formação de uma rede de pessoas guardiãs de árvores matrizes da Mata Atlântica. Foram identificadas e mapeadas 20 espécies nativas, realizadas visitas a propriedades rurais e estruturada uma rede com 26 integrantes. O projeto aproximou conhecimentos técnicos e conhecimentos construídos pelos próprios agricultores, fortalecendo seu papel na restauração ecológica.

Projeto Matrizeiras – Foto: Equipe Bauhinia

Em outra frente, os mutirões realizados no Sítio Plenitude uniram voluntariado, agricultura e restauração ambiental. Entre as ações realizadas, foram plantadas 100 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica em áreas de mananciais.

Também seguimos fortalecendo iniciativas relacionadas aos sistemas alimentares. O Rebola Queixo, criado a partir de uma demanda de agricultores de Parelheiros, conecta produtores familiares e consumidores por meio de grupos de consumo responsável, contribuindo para reduzir perdas na produção e ampliar as possibilidades de comercialização da agricultura local.

Essas experiências mostram que cuidar da biodiversidade também significa cuidar de quem produz alimentos, fortalecer economias locais e aproximar a cidade dos territórios rurais que fazem parte do município.

Sustentabilidade também significa inclusão

Outro destaque do período foi o projeto Trilhando Acessibilidade, desenvolvido para compreender e enfrentar as barreiras que dificultam o acesso de pessoas com deficiência a propriedades rurais e experiências de turismo e educação ambiental no extremo sul de São Paulo.

Trilhando Acessibilidade – Foto: Equipe Bauhinia.

O projeto envolveu 21 propriedades consultadas por questionário, 10 propriedades avaliadas presencialmente e 54 pessoas com deficiência ou cuidadoras ouvidas. A partir desse processo, foram desenvolvidos três protótipos de soluções acessíveis: uma horta sensorial suspensa, um banheiro seco adaptado e uma mesa de refeição acessível.

A experiência reforça uma convicção importante para a Bauhinia: não podemos falar em territórios sustentáveis sem falar em territórios acessíveis, inclusivos e capazes de acolher diferentes formas de viver e participar.

Juventude, participação e futuro

Durante esses dois anos, também fortalecemos ações voltadas à juventude.

Em 2024, um intercâmbio entre jovens brasileiras e francesas possibilitou trocas sobre agroecologia, cooperativismo, sustentabilidade e desenvolvimento de projetos socioambientais. Dez jovens participaram diretamente do intercâmbio, que contou com encontros e atividades junto a iniciativas e organizações locais.

Também foram realizadas vivências de educação ambiental com estudantes, aproximando-os de agricultores, cooperativas e áreas de Mata Atlântica na zona sul de São Paulo.

São experiências que ajudam a criar novas conexões entre juventude, território e meio ambiente — e que mostram que educação ambiental pode acontecer também por meio do encontro, da experiência e da troca de conhecimentos.

Olhar para os resultados — sem perder de vista as pessoas

Os números reunidos no relatório ajudam a dimensionar o alcance desse trabalho.

Entre os resultados registrados estão 20 espécies nativas mapeadas, 26 integrantes na Rede de Matrizeiras, 100 mudas nativas plantadas, 100 mudas de PANCs cultivadas em um sistema agroflorestal piloto, 21 propriedades rurais consultadas sobre acessibilidade, 54 pessoas com deficiência ou cuidadoras ouvidas e três protótipos de soluções acessíveis desenvolvidos.

Mas, para nós, impacto não se resume a indicadores.

Por trás de cada número existem pessoas que compartilharam conhecimentos, agricultores que abriram suas propriedades, jovens que participaram de atividades, cooperados que construíram decisões coletivamente, organizações que estabeleceram parcerias e comunidades que seguem criando soluções a partir de suas próprias realidades.

É essa dimensão humana e territorial que dá sentido aos resultados apresentados no relatório.

Um caminho que continua sendo construído

Os anos de 2024 e 2025 representaram um momento importante de fortalecimento institucional da Bauhinia. Ampliamos nossa atuação, estabelecemos novas parcerias e experimentamos diferentes formas de construir projetos com quem vive os territórios.

Também aprendemos que os desafios socioambientais são complexos demais para serem enfrentados isoladamente.

Por isso, seguimos apostando no trabalho em rede, na valorização dos conhecimentos locais, na participação e na construção de soluções que façam sentido para cada território.

O Relatório Bianual 2024–2025 é, assim, um registro do caminho percorrido — mas também um convite para olhar para o que ainda podemos construir juntos.

Acesse o relatório completo e conheça os projetos, parceiros e resultados que fizeram parte dessa trajetória.

[Leia o Relatório Bianual 2024–2025 da Bauhinia eco-social]

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